terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Carta n. 4

Danilo,

Você tem toda razão, eu sou mesmo inconseqüente. Eu nunca deveria ter ido até a porta do seu trabalho te esperar, muito menos achar que você teria algo a me esconder. Me perdoa. Eu já fui traído tantas vezes que a insegurança e o medo se tornaram aliados permanentes, eu já devo estar condenado a isso, a essa loucura, essa sensação absurda de perda, de incapacidade. É desesperador temer, a todo momento, que alguém saia porta a fora da minha vida sem olhar para trás. Você tem sido tão bom nesses meses que parece inacreditável que esteja acontecendo comigo. Sempre me enganei com as pessoas, sempre acreditei em seu amor e suas promessas, e sempre terminei só, abandonado, despedaçado, partido. Danilo, a insegurança se tornou um fantasma a me acompanhar toda vez que me apaixono. Basta alguém dizer que gosta de mim e que seria bom ficarmos juntos que sou tomado por ela como um espírito obsessivo, e em todas as outras vezes o meu medo se confirmava; um a um meus relacionamentos foram tendo o mesmo desfecho, a infidelidade. Penso às vezes ser culpa minha,e choro e choro por horas, dias até. Danilo, eu te peço, tenha paciência, me ajuda a exorcizar esse demônio, por que eu te amo e muito e tenho medo de pôr tudo a perder. Fica comigo mesmo que as vezes eu te leve do paraíso ao inferno em alguns segundos. Fica, por favor.

Kaíke

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Carta n. 3

Daniel,

Eu sei que você ainda deve estar achando inacreditável o que aconteceu, assim como deve achar inacreditável que eu te escreva uma carta, mas não se espante, essa não é uma carta de desculpas. Puxa, Daniel, você que é tão romântico, tão à moda antiga, como foi se envolver logo com alguém como eu? E bem que eu te avisei. Daniel, eu não sou nada convencional e você sempre soube disso, e mesmo assim quis manter um relacionamento, mesmo assim quis que eu fosse morar com você. Eu não me envergonho nem me arrependo desta situação, eu sempre fui este ser livre conhecido por todos como alguém sem limites, e nunca disse que era o contrário. Eu gosto, e faço questão de obedecer aos meus instintos sem ter que dar explicações a pessoa alguma. Sei que errei em aceitar teus pedidos, em me deixar levar pela sua oferta de amor. Por um instante me rendi e fui só seu, mas o instinto falou mais alto e fiz o que fiz. Daniel, não posso mentir e te dizer que sinto muito, por que eu não sinto. Pode me chamar de canalha, do que quiser, mas eu quis levar aquele cara pra sua cama sim. Pode me chamar do que quiser, eu sou assim.

João.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Carta n. 2

Rodrigo,

Você me acusa de não saber te amar. Pensando bem, você tem razão; afinal; amar é daquelas coisas que a gente aprende com a mãe, eu nunca tive mãe, então é só mais uma culpa que posso pôr nela. Você me disse que não sou o que você esperava. Não tem problema, você não é a primeira pessoa que me diz isso. Meu pai uma vez me disse que eu deveria ter morrido no parto e não minha mãe. Minha primeira e única professora me disse que eu deveria estudar e não trabalhar pra comer. Eu nunca faço o que as pessoas esperam, eu nunca sou o que elas esperam. Mas você quer saber se eu te amo? Sim, eu te amo. Não do jeito que você espera ou acha conveniente, do jeito que te foi ensinado, eu te amo do meu jeito, autodidata. Eu te amo não porque não presto muita atenção nas coisas que você compra, e sim porque te ligo sempre nas minhas horas de almoço. Eu te amo, não porque não sei tirar fotos legais como seus amigos, e sim porque fico 2 horas num ônibus pra te ver no sábado. Eu te amo não porque não coloquei “namorando” no tal do Orkut que não sei mexer direito e sim porque disse pra todos os outros mecânicos do meu trabalho que minha “namorada” se chama Rodrigo e que ninguém tem que se meter. E por último, eu te amo de um jeito que não sei escrever, e por isso pedi à secretária da oficina para escrever essa carta.

Gilmar

Carta n. 1

Thiago,

Já tem dias que te telefono; uma ligação atrás da outra. Estou confuso, beirando o desespero e não encontro uma razão para este silêncio.
“O único motivo razoável para o seu sumiço seria você estar morto”*
Mas seu que você está vivo, por que de longe, eu te vi pela rua, eu cansado dentro de um ônibus lotado tentando contato com você, uma mão no celular e a outra tentando me segurar no coletivo. E você caminhando alheio a isso.
Que raio de hiato entre nós é esse Thiago? O que aconteceu tão de repente que eu não percebi? Que crime cometi sem notar? Sei que nosso último encontro foi decisivo, eu estava cheio de coragem e você tão cheio de vontade de fazer amor, eu estava com aquela frase presa na garganta como um espirro que num momento repentino se desencadeia. Falei. Sim, Thiago, eu te amo, eu te amo, eu te amo. Eu te amo há quase um mês, percebi isso te olhando revirar a mochila atrás da carteira, daquele jeito preocupado, e do sorriso aliviado quando a encontrou. Nosso último encontro foi tão especial Thiago, você estava tão bonito com o novo corte de cabelo, e com tanta disposição pra fazer amor. Depois, sumiu. Thiago, apenas me responda. Não sou egoísta, não precisa dizer que sente o mesmo, não precisa nem gostar de mim, basta apenas dizer que aceita me ver, que aceita que eu ame você.

Diego